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Enquanto bancos privados promovem endurecimento no crédito
imobiliário, CEF mantém condições e obtém novos recursos com incentivos do
governo
Parece um contrassenso que, em meio a índices de queda na produção industrial,
férias coletivas nas montadoras, medo de desemprego e persistência das baixas
nas bolsas mundiais, a CEF (Caixa Econômica Federal) consiga divulgar recordes
de financiamento habitacional. Até dia 28 de novembro de 2008 foram assinados
446 mil contratos que totalizaram R$ 20,4 bilhões, 60% a mais que no mesmo
período de 2007. Até o fechamento desta edição, a Caixa não havia anunciado o
orçamento para 2009. No entanto, o vice-presidente do banco, Jorge Hereda, prevê
para 2009 um valor de, no mínimo, o que se esperava gastar até o fechamento de
2008 - algo em torno dos R$ 23 bilhões.
Muito dinheiro? Para a CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção), é
nada mais que uma obrigação cumprida. "A CEF é, sem dúvida, o maior e mais forte
agente financeiro no Brasil para a habitação, com 30% do nosso mercado."
Obrigação à parte, o fato é que a Caixa deve ganhar ainda mais importância no
setor. "Enquanto num primeiro momento bancos privados sofreram retração, em
resposta à crise financeira, a Caixa manteve suas condições [juros e prazos], e
ainda obteve novos capitais, por incentivos do Governo Federal", afirma o
vice-presidente da CBIC José Carlos Martins.
Ele se refere aos R$ 3 bilhões para financiamento do capital de giro de
construtoras, cujos contratos passaram a ser assinados a partir do dia 2 de
dezembro. Segundo Hereda, se necessário, a CEF poderá levantar até mais R$ 1
bilhão, só para financiamentos de capital de giro. Quanto ao CaixaPar, braço de
investimentos da Caixa que poderá comprar ações de construtoras, ele prefere não
se manifestar ainda: "Só depois da aprovação da MP [Medida Provisória 443] no
Senado".
O empresário Milton Goldfarb foi o primeiro a assinar o contrato de
financiamento de capital de giro em São Paulo: "Pretendemos levantar em torno de
R$ 50 milhões, para empreendimentos já em andamento, até fevereiro ou março",
afirma. "A CEF é muito criteriosa na concessão do crédito; é preciso ter fluxo
de caixa. Além disso, oferece mesmo as melhores condições (11% + TR); em outros
bancos, a taxa efetiva chega a ser quase 50% maior", calcula.
Segundo a CBIC, não há com o que se preocupar: "A demanda por habitação
popular não caiu, e a CEF é reconhecida por seu trabalho nesse setor", diz
Martins. Também na primeira semana de dezembro, o Conselho Curador do FGTS (cujo
operador é a Caixa) aprovou outros R$ 3 bilhões que favorecem famílias com renda
mensal de até R$ 2 mil, a taxas de juros de 5% ao ano (+TR).
Além disso, a partir deste mês, o agente estatal poderá adquirir CRIs (
Certificados de Recebíveis Imobiliários), FDICs (Fundos de Investimento em
Direitos Creditórios), FIIs (Fundos de Investimentos Imobiliários) e debêntures
de empresas que utilizarão recursos para a produção de empreendimentos.
"Não é mágica", opina Martins. "A Caixa também tem a maior poupança, e 65%
dela deve ser injetada na construção." O banco anunciou, em seu balanço de 2008,
que deve superar os R$ 10 bilhões em recursos das cadernetas de poupança (SBPE),
além de outros R$ 11 bilhões provenientes do FGTS.
Segundo a assessoria de imprensa do banco, a política da CEF com relação às
obras do PAC não será alterada. Ao mesmo tempo, o Construbusiness 2008, evento
realizado dia 1o de dezembro na sede da Fiesp (Federação das Indústrias do
Estado de São Paulo), apresentou um Plano Nacional para a Construção, que define
agenda de implementação para o Planhab (Plano Nacional de Habitação) e as bases
para um Plano Nacional de Infra-Estrutura. A previsão da CBIC é que o PlanHab
seja implantado até o final do governo Lula e que, além da concessão de
subsídios, haja também a desoneração tributária.
Fonte: Revista Construção e Mercado
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